Sim, sou pintor!
Absolutamente fiel a esta extraordinária forma de expressão e arte, a Pintura, em seu estado puro, “desintoxicada” de definições vazias ou de conceitos e análises que pretendam dominá-la ou esgotá-la!
Na pintura, reside o sublime, como o diamante em estado bruto que aguarda o trabalho revelador da lapidação para se transformar em joia preciosa e poder emitir seu fascinante brilho.
Na pintura, o silêncio das ideias se transforma em matéria, em representações. Arte e artista estabelecem o diálogo inaudível da criação, povoando o aparente vazio, compondo-o com linhas e ritmos, impulsos constantes vivificados pela energia da cor e pela celebração da luz que a tudo revela.
Praticá-la é um sacerdócio, uma devoção intraduzível em texto. A pintura é fonte inesgotável, campo generoso e fértil, prenhe de possibilidades para experimentação e desenvolvimento de apuro técnico.
Meus ensaios preferidos são no campo da anatomia, inspiradora de gênios que sobre ela se debruçaram com maestria quase divina, como Da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Rembrandt, dentre outros.
Os esboços anatômicos e suas linhas de composição revelam formas surpreendentes da realidade. Não as nego, mas transformo-as, produzindo tramas de matéria e cor em dinâmica adaptada. Esse exercício estético permite interferir criando nova plasticidade, sem objetivar a organicidade.
Por enquanto, é este o labor que me entretém. É certo que o tempo poderá me levar por novos caminhos, mas a pintura será sempre minha guia.
Sebastião Rodrigues
Artista Plástico
Agosto 2011




